O diretor do instituto também criticou a forma como o governo federal enfrenta a pandemia, tanto no respeito às orientações da saúde e ciência, quanto na compra de vacinas.
Nesta sexta-feira (26), completa um ano da confirmação da contaminação de Covid-19 no Brasil. O primeiro caso ocorreu em São Paulo.
"Muita falta de compreensão da necessidade de medidas de restrição de circulação. Houve adesão parcial a essas medidas, diferente de outros países bem-sucedidos. Não foram implementadas políticas efetivas que completassem as medidas, como a vigilância epidemiológica, não houve uma organização eficiente à testagem. Vários fatores explicam."
Ele voltou a afirmar que existe a possibilidade de o Butantan elevar a capacidade de produção da CoronaVac, vacina feita pela Sinovac em parceria com o Instituto, mas destacou a necessidade de ampliação do número de imunizantes disponíveis no país.
"Estamos cumprindo a nossa parte com o Ministério [da Saúde] e fazendo o esforço para acelerar, mas o Brasil precisa de mais vacinas, de outras vacinas já contratadas e que deveriam ter participação importante, apareçam e venham de fato ser entregues."
A capacidade de envase do Butantan pode dobrar a partir de abril, de até um milhão de doses por dia para dois milhões por dia. O aumento será possível quando uma fábrica que atualmente está sendo usada para a produção da vacina contra a gripe for destinada para a CoronaVac.
Dimas Covas acredita que uma ampliação mais significativa da cobertura vacinal só será possível a partir de maio.
"Teríamos vacinação mais rápida e cobrir acima de 60 anos, que é 40 milhões de pessoas, mais profissionais de saúde, rapidamente. Vamos aguardar um tempo, maio junho ou julho, para fazer cobertura. Aí vamos ter um impacto maior da vacinação. Até lá, vamos tomar medidas de combate à epidemia."
Estados brasileiros vivem situação crítica na Saúde em razão do avanço da pandemia de Covid-19, com alta nos números de casos e de mortes causadas pela doença. Também estão na iminência de colapso, com Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) lotadas ou perto de ficar sem vagas.
Em Santa Catarina, no Rio Grande do Sul e em Rondônia, autoridades alertaram nesta quinta-feira (25) para o colapso nas estruturas de atendimento de saúde. Ao menos 12 estados enfrentam dificuldades.
Nesta quinta (25), o Brasil bateu recorde de mortes registradas em 24 horas: 1.566 pessoas – é o maior número desde a chegada da pandemia ao país, em março de 2020.